Kim foi resgatada de uma estrada na Bahia, adotada durante o Carnaval e viralizou ao escapar de uma caixinha de transporte e invadir a pista do aeroporto paulistano
Uma cachorra de 11 meses chamou toda a atenção do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no dia 11 de março de 2026. Kim escapou da caixinha de transporte durante uma conexão, correu em direção à pista e suspendeu as operações do terminal por nove minutos — das 15h26 às 15h35. O episódio viralizou nas redes sociais, mas a história que levou essa pequena cachorrinha preta até aquele voo merece ser contada desde o começo.
Da estrada da Bahia ao coração de uma médica carioca
A história de Kim começa em Caraíva, na Bahia, onde ela foi resgatada de uma estrada junto com a mãe e os irmãos. Depois de passar quase um ano sob os cuidados de uma ONG local, ela aguardava adoção.
Quem a adotou foi a médica Gabriela Salles, moradora do Rio de Janeiro, que estava passando o Carnaval na cidade baiana. Um post de uma amiga com a foto da cachorrinha foi o suficiente para despertar a paixão. “Foi amor à primeira vista”, conta Gabriela. Mesmo estando longe de casa e tendo outros pets — dois gatos, também adotados —, ela decidiu que ia levar Kim para o Rio.
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O destino, aliás, ajudou a confirmar a decisão. Enquanto pensava na adoção, Gabriela foi jogar altinha na praia e descobriu que um dos jogadores se chamava Kim. Para ela, não era coincidência: era sinal.
Uma viagem repleta de adrenalina
Como Gabriela não conseguiu transportar Kim na data em que voltou para o Rio, a amiga Suelen, de Caraíva, se voluntariou para fazer o trajeto com a cachorrinha. Da estrada até o aeroporto, tudo correu bem, mas o voo mudaria tudo.
Kim, que nunca havia saído de casa e era muito medrosa, viajava na cabine do avião dentro de uma caixinha de transporte, devidamente regularizada. Ela pesa 7,5 kg, dentro do limite permitido para voo na cabine. Depois do primeiro trecho, de Trancoso (BA) até São Paulo, a agitação aumentou. Na conexão em Congonhas, ela conseguiu abrir a caixinha sozinha e disparou em direção à pista.
O que se viu a seguir virou vídeo: funcionários do aeroporto correndo atrás de uma cachorrinha veloz, que dava voltas sem parar pela área restrita. “Tinha um carro a acompanhando e ela pegou uma reta sem fim”, relatou Gabriela. A concessionária Aena informou que as equipes de emergência foram acionadas imediatamente e realizaram a captura do animal sem ferimentos. Nenhum voo foi cancelado.
Exausta, famosa e muito amada
Após ser devolvida à responsável pelo transporte, Kim embarcou no voo para o Rio de Janeiro e chegou ao novo lar sem maiores problemas. Gabriela registrou o momento nas redes sociais: a cachorrinha, já de banho tomado, dentro de um carro, a caminho de casa. “Foi tanta adrenalina que ela ficou exausta”, disse a tutora.
A repercussão foi imediata. O vídeo da fuga circulou amplamente, e Kim ganhou o apelido carinhoso de Kim Bolt, em referência ao velocista jamaicano Usain Bolt. Do saco de lixo em uma estrada baiana ao noticiário nacional: essa é a trajetória improvável de uma cachorrinha que provou, à sua maneira, que adoção transforma vidas — às vezes de formas que ninguém esperava.
Se você também se apaixonou pela história de Kim, lembre-se: há milhares de animais resgatados esperando por um lar. Adotar é o primeiro passo para uma história com final feliz como essa.



