Com o Brasil na terceira posição dos líderes globais do setor pet, fabricantes de embarcações passam a projetar lanchas pensando em quem tem quatro patas; tutores já perceberam que o mar também pode ser território do seu companheiro
Levar cães e gatos para passeios de lancha ou iate já faz parte da rotina de muitas famílias brasileiras. O setor pet faturou R$ 77,2 bilhões em 2025 (Abinpet) e o Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking mundial do segmento. O mercado náutico percebeu esse movimento, e começou a adaptar embarcações para receber os pets com a segurança que eles merecem.
Engenharia pensada para quem tem quatro patas
Fabricantes de lanchas de lazer já aplicam adaptações estruturais em embarcações de 26 a 52 pés voltadas ao lazer marítimo com pets a bordo. As modificações técnicas incluem instalação de portas de segurança entre proa e popa e aplicação de materiais antiderrapantes nas áreas de circulação do barco.
Para Fernando Assinato, CEO do Grupo Armatti & Fishing, a segurança dos animais à bordo exige uma abordagem projetual específica:
“Um de nossos pilares é a segurança de todos e o aumento da presença de animais a bordo exige que o projeto do barco ofereça segurança ainda mais ativa e engenharia analítica, como passagens rebaixadas e áreas que limitem o deslocamento indevido durante manobras. Além disso, buscamos constantemente informações sobre essa tendência para oferecer dicas e suporte aos nossos clientes com pets.”
Do colete à cama: os acessórios que fazem a diferença
A presença do pet na embarcação também exige um kit de acessórios adequado. O colete salva-vidas específico para animais é item essencial: além de auxiliar na flutuação, facilita o resgate em caso de queda na água. Já as tigelas de água e comida devem ser antiderrapantes e fabricadas em aço inoxidável, material que resiste melhor à umidade e à salinidade do ambiente marítimo.
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Para passeios mais longos, uma cama ou área fixa de descanso cria um espaço de referência para o animal — um ponto seguro que contribui para que ele se sinta protegido ao longo da navegação. Outros acessórios recomendados incluem brinquedos à prova d’água para reduzir o estresse, rampas ou escadas para facilitar o retorno à embarcação após mergulhos e tapetes flutuantes que ampliam o espaço de lazer, tanto para o pet quanto para toda a família.
Adaptação gradual: o preparo começa em terra
Além das adaptações físicas nas embarcações, Assinato alerta que o preparo do próprio animal é etapa fundamental. “O animal precisa se sentir seguro e confortável. Isso passa por adaptação gradual, proteção contra o sol, oferta constante de água e, principalmente, equipamentos adequados, como colete salva-vidas próprio para pets. Navegar com um bichinho a bordo é possível, desde que o tutor esteja preparado”, afirma.
O setor náutico segue um caminho já traçado pela medicina veterinária, pelo turismo e pelo mercado imobiliário: quando o pet é membro da família, o lazer também precisa ser pensado para ele — com segurança, conforto e muito carinho.



