Há 10 anos sem movimentos nas patas traseiras, ele passeia na cadeirinha, atravessa a faixa de pedestre e viralizou nas redes sociais — tudo sem perder um segundo de felicidade
Tem histórias que a gente conta não porque são raras, mas porque precisam ser ouvidas. A de Nick é assim. Um cãozinho vira-lata encontrado na rua de Americana (SP) quando tinha apenas três meses, criado com amor, que aos cinco anos enfrentou um diagnóstico devastador e, apesar de tudo, escolheu — do seu jeito — não desistir.
Hoje, Nick tem 15 anos. Faz uma década que ele não anda com as quatro patas. Mas quem vê os vídeos dele no TikTok e no Instagram — atravessando a faixa de pedestre certinho ou pulando de alegria quando vê a cadeirinha chegar — entende que mobilidade e felicidade são coisas bem diferentes.
Um diagnóstico que ninguém esperava
A cinomose é uma doença viral altamente letal. Na maioria dos casos, os cães não sobrevivem. Mas Nick sobreviveu, e de um jeito que surpreendeu até as veterinárias que cuidaram dele.
“Ele não teve sintoma nenhum. Simplesmente, de um dia para o outro, ele parou de andar. A gente levou ao veterinário achando que era problema na coluna. Fizemos todos os exames, não deu nada. Aí fizemos o exame de cinomose e deu positivo”, conta a tutora Joyce Santos.
A doença deixou duas sequelas permanentes: a perda de movimento nas patas traseiras e crises convulsivas, controladas até hoje com Fenobarbital (comercializado como Gardenal), um anticonvulsivante utilizado para prevenir epilepsia em cães.
Tratamentos, tentativas e uma decisão tomada com amor
Os tutores de Nick não pouparam esforços. Acupuntura, fisioterapia, hidroterapia, tratamento com ozônio e até aplicação de células-tronco fizeram parte da jornada em busca de recuperar os movimentos do cãozinho. As veterinárias viam progresso, havia esperança.
Leia mais:
- Caso Orelha mobiliza MP: Felca solicita canal 24h e anônimo para denúncias
- Controle de peso em cães: como alimentação, rotina e acompanhamento fazem a diferença na saúde
- São Bernardo Plaza recebe feira de adoção de cães e gatos neste domingo
Mas o retorno total nunca veio. E, sem uma garantia de 100%, a família tomou a decisão que muitos tutores conhecem bem: parar de buscar a cura e começar a construir a melhor vida possível dentro da realidade existente.
Em casa, Nick dispensa a cadeirinha. Ele circula com as duas patinhas dianteiras, com uma disposição e uma vitalidade que impressionam. Na casa anterior, subia e descia escadas normalmente. Nada parece tirá-lo do rumo.
A cadeirinha e a hora favorita do dia
Para os passeios, Nick usa uma cadeirinha — que chegou até ele de um jeito bastante tocante. Um amigo da família tinha uma cachorra com a mesma condição, que acabou não resistindo. Em um gesto de carinho e solidariedade, ele doou a cadeirinha para Nick.
E assim que colocaram Nick dentro dela pela primeira vez, ele simplesmente saiu andando. Hoje, a tutora mal termina de ajustar os encaixes e apertar o cinto, já está pronto para ir. A empolgação dele quando vê a cadeirinha é um dos momentos que mais emocionam quem segue o perfil nas redes sociais.
Faixa de pedestre e as redes sociais
Entre os vídeos que viralizaram, um chama atenção especial: Nick passeando pelo condomínio e, ao se deparar com uma faixa de pedestre, atravessando certinho — e subindo na calçada do outro lado com uma naturalidade que arranca sorrisos de quem assiste.
Não é performance. É Nick sendo Nick!
15 anos de uma parceria que não tem preço
Em fevereiro deste ano, Nick completou uma década convivendo com as sequelas da cinomose. E completou 15 anos de vida — e de companhia. Encontrado na rua ainda filhote, ele cresceu cercado de cuidado. Quando a doença veio, o cuidado não foi embora.
“Ele está com a gente, desse jeito mesmo, e a gente cuida dele. Ele é bem imperativo, não para. Sempre foi assim, mesmo com a doença.”
Nick não voltou a andar. Mas nunca parou de viver. E isso, no fim das contas, é o que importa.
Saiba Mais
O que é a cinomose?
A cinomose é uma doença viral grave, causada pelo Morbillivirus, que afeta principalmente cães jovens e não vacinados. Altamente contagiosa, pode comprometer o sistema respiratório, digestivo e nervoso. Nos casos em que o vírus atinge o sistema nervoso central, sequelas como paralisia e convulsões são comuns — mesmo após a recuperação.
Como proteger o seu pet:
• A proteção contra a cinomose está incluída nas vacinas polivalentes V8, V10 e V11, disponíveis em clínicas veterinárias. Converse com seu veterinário sobre qual é a mais indicada para o seu cão.
• Filhotes devem receber de três a quatro doses a partir dos 45 dias de vida, com intervalos de 21 a 30 dias entre as aplicações.
• Cães adultos precisam de reforços periódicos para manter a imunidade.
Atenção: Embora raro, um animal vacinado ainda pode ser infectado pelo vírus. Por isso, manter o calendário em dia e seguir o protocolo recomendado pelo médico-veterinário é fundamental.



