Veterinária especializada em animais não convencionais revela curiosidades sobre comportamento, alimentação e cuidados da espécie
Com a chegada da Páscoa, ovos coloridos e coelhos de chocolate tomam conta das vitrines, e o coelho volta a ocupar o imaginário popular como símbolo de fertilidade, renovação e novos começos. Mas, por trás da figura lúdica, existe um animal real com necessidades específicas, comportamentos fascinantes e uma longevidade que poucos imaginam.
Para a Dra. Fernanda Barttistella Passos Nunes, docente de Clínica Médica de Animais Silvestres no Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba) e especialista na área, o coelho é, acima de tudo, uma responsabilidade. “Apesar de parecerem simples, coelhos são animais complexos e exigentes. Não são brinquedos, nem presentes. Cuidar deles é uma responsabilidade de longo prazo que exige cuidado, conhecimento e compromisso”, alerta.
A especialista compartilhou sete curiosidades sobre a espécie — da biologia à reprodução — que ajudam a entender melhor esse animal tão associado à data.
1 – Tem coelho espalhado pelo mundo
Originário da Europa, o coelho hoje está presente em praticamente todos os países. No Brasil, o principal representante nativo é o tapiti (Sylvilagus brasiliensis). Já os coelhos domésticos pertencem à espécie Oryctolagus cuniculus, com diversas raças e cruzamentos, daí a grande variação de tamanho, pelagem e comportamento.
2 – Vivem mais do que você imagina
Com manejo adequado, alimentação equilibrada e acompanhamento veterinário, coelhos podem viver em média de 8 a 12 anos, podendo ultrapassar esse tempo em alguns casos. Informação que vale ser considerada antes de presentear alguém com um filhote na Páscoa para fazer uma escolha consciente.
3 – Dentes que nunca param de crescer
Coelhos possuem 28 dentes com crescimento contínuo ao longo de toda a vida, chegando a alguns milímetros por semana. Quando não há desgaste adequado, principalmente pela falta de feno na dieta, podem surgir problemas como má oclusão, dor, anorexia e alterações gastrointestinais.
4 – A cenoura é mito
O feno é o protagonista. Engana-se quem acha que a cenoura é o alimento predileto do coelho. Ela deve ser ofertada com moderação, devido ao alto teor de açúcar. O principal alimento da espécie é o feno, essencial para a saúde digestiva e dentária, e que deve estar disponível à vontade. A dieta pode ser complementada com folhas verdes, ervas frescas, legumes e frutas em pequenas quantidades.
5 – Uma comunicação própria e sofisticada
Coelhos são animais de presa, altamente sensíveis ao ambiente. Comunicam-se batendo as patas quando estão em alerta, realizam saltos animados (chamados de ‘binky’) quando estão felizes, e rangem os dentes em contextos que podem indicar conforto ou dor. Também marcam território esfregando o queixo em objetos e demonstram afeto lambendo o responsável.
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6 – Ambiente limpo, organizado e seguro
Coelhos gostam de ambientes tranquilos, previsíveis e seguros. São animais limpos e, na maioria das vezes, aprendem a usar a caixa sanitária. Precisam de espaço para se movimentar livremente, com esconderijos disponíveis e piso adequado para evitar escorregões. O enriquecimento ambiental contribui diretamente para o bem-estar da espécie.
7 – Uma fêmea pode ter até 12 filhotes por gestação
As coelhas podem se reproduzir ao longo de todo o ano. A gestação dura cerca de 30 dias, com ninhadas de 4 a 12 filhotes. Os coelhinhos nascem cegos, sem pelos e totalmente dependentes da mãe, que prepara o ninho com pelos do próprio corpo antes do parto. O controle reprodutivo é fundamental para evitar superpopulação e problemas de saúde.
“Apesar de parecerem simples, coelhos são animais complexos e exigentes. Não são brinquedos, nem presentes. Cuidar deles é uma responsabilidade de longo prazo que exige cuidado, conhecimento e compromisso”, alerta a médica-veterinária.
Antes de adotar: o que você precisa saber
A Páscoa é um dos períodos em que aumenta a procura por coelhos como presente, especialmente para crianças. O problema é que o impulso da data muitas vezes não leva em conta a realidade do animal: uma vida de até 12 anos, com necessidade de alimentação específica, acompanhamento veterinário, espaço adequado e atenção diária.
Além disso, ao contrário do que muitos pensam, o coelho não é um roedor. Ele pertence à ordem dos lagomorfos, grupo que também inclui lebres e pikas, e apresenta características biológicas e comportamentais bem distintas. Adotar com consciência é o primeiro passo para garantir o bem-estar do animal.



