Cadela que “defendeu Jesus” na Paixão de Cristo reencontra seus responsáveis dois anos depois

Animal desaparecido nas enchentes do RS em 2024 viralizou ao invadir encenação em Sapiranga e acabou reconhecido pela família

 

Uma cadelinha de rua protagonizou uma das cenas mais emocionantes da Semana Santa deste ano. Durante a encenação da Paixão de Cristo realizada em Sapiranga, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no dia 28 de março, o animal invadiu o espaço da apresentação e se recusou a sair. Se colocou ao lado do ator que interpretava Jesus quando era açoitado, como se tentasse protegê-lo dos soldados.

A cena, registrada em vídeo e publicada pelo Jornal NH – e nas redes sociais -,ultrapassou 2,8 milhões de visualizações e foi reproduzida por veículos de imprensa e páginas de todo o Brasil. O que ninguém imaginava é que a história ainda teria mais um capítulo.

A cena que parou a encenação

O ator Kim Souza carregava a cruz e era castigado pelos soldados quando a cadela entrou em cena. Mesmo diante da movimentação intensa dos demais participantes, o animal não recuou; permaneceu ao lado do personagem e acompanhou a apresentação até o fim, inclusive durante a crucificação.

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Para o diretor da peça, Leandro Coimbra, a atitude da cadela foi interpretada como um reflexo genuíno de compaixão e proteção contra a dor — um momento que escapou ao roteiro e tocou a todos os presentes.

O acolhimento e a adoção

Após o espetáculo, a cadela ainda vivia em situação de rua. Marcelo Muller, farmacêutico, percebeu que o animal parecia perdido e o acolheu. “Me veio um sentimento muito forte de que eu precisava ajudar ela”, conta. Sem poder ficar com a cadela, Marcelo a levou para a casa de familiares em Portão, cidade vizinha, e publicou fotos nas redes sociais em busca de um adotante.

Foi assim que Eliseu Carvalho conheceu a nova integrante da família — sem saber, no momento da adoção, que se tratava da “atriz” que havia emocionado o Brasil. A cadela ganhou um nome: Luna. “A gente só descobriu aquele vídeo quando ela já estava aqui. Foi uma grande surpresa”, conta Eliseu.

“Ninguém tinha noção de que ela já tinha viralizado. Fiquei feliz por ela ter vindo até mim, por eu ter tido esse privilégio de poder ajudar”, conta Marcelo Muller, farmacêutico que acolheu a cadela após a encenação

O vídeo que mudou tudo

Com a repercussão nas redes sociais, a história chegou a São Leopoldo, onde uma família havia perdido a cadela durante as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024. A aposentada Nair Cezimbra, 68 anos, foi surpreendida por um comentário da cunhada: “Ela perguntou se teria churrasco para comemorar a volta da minha filha. Eu disse: ‘que filha?'”

O marido, Laerte Cezimbra, 73, também reconheceu a cadela imediatamente ao ver o vídeo que a filha mostrou. “Eu disse ‘é ela’. Fomos conferir, olhamos as fotos no site, estava meio de longe, mas eu reconheci”, afirma. Para a família, o animal — chamado carinhosamente de “Pulgueria” — havia sumido após as enchentes de 2024, quando precisaram deixar a casa às pressas.

O reencontro e a volta para casa

A filha Cristiane Cezimbra, 43, explica o que aconteceu: “Saímos de casa e quando tentamos voltar, não conseguimos porque a água tinha tomado conta. Tem pessoas falando que abandonamos ela, nós não fizemos isso.” A família conta que percorreu abrigos em São Leopoldo, Novo Hamburgo e outras cidades em busca do animal, mas sem sucesso.

O reencontro, ocorrido dias após o vídeo viralizar, carrega um significado ainda mais profundo para os responsáveis. Laerte enfrenta problemas de saúde, e a companhia da cadela faz parte de sua rotina. “Ele entrou em depressão, sonhava com ela. Para ele, foi uma benção”, diz Nair. Ela resume em poucas palavras: “Foi um presente de Páscoa.”

“Ela é muito importante para ele. Para ele, foi uma benção”, finaliza Nair Cezimbra.

Fonte: Redes Socias | jornalnh

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