Técnica conhecida como odorologia forense usa a capacidade olfativa dos cães para identificar suspeitos e solucionar crimes; Brasil está descobrindo esse campo
Se você já se impressionou com a habilidade do seu pet de farejar tudo ao redor, imagina colocar esse superpoder a serviço da Justiça. É exatamente isso que faz a odorologia forense — uma disciplina científica que vem ganhando destaque nas investigações criminais ao redor do mundo e começa a chamar atenção no Brasil.
O que é a odorologia forense?
A odorologia forense é uma área da ciência criminal que utiliza cães especialmente treinados para identificar, comparar e analisar odores humanos deixados em cenas de crimes, objetos ou vestígios. A base de tudo está em uma verdade biológica fascinante: cada ser humano possui um odor único, formado por compostos orgânicos voláteis produzidos naturalmente pelo corpo.
Esses compostos ficam depositados em superfícies e podem ser preservados por tempo suficiente para que um cão treinado os detecte — e os associe a uma pessoa específica.
Diferente do rastreamento comum, em que o animal simplesmente segue um rastro, aqui o trabalho é comparativo e científico. O odor coletado na cena do crime é apresentado ao cão junto com amostras de suspeitos ou vítimas, e o animal indica se há correspondência. Quando identifica, isso significa que aquela pessoa esteve no local ou teve contato com o objeto analisado.
Como funciona na prática?
O processo segue protocolos rigorosos. Primeiro, os vestígios odorosos são coletados com materiais especiais que preservam os compostos sem contaminação. Em seguida, as amostras vão para armazenamento seguro — muitas vezes em bancos específicos — até serem utilizadas na comparação. O cão, treinado com reforço positivo, aprende a sinalizar quando reconhece o odor-alvo entre as amostras apresentadas.
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O resultado é uma evidência pericial que pode ser decisiva em investigações, especialmente em casos em que outros tipos de vestígios estão ausentes ou comprometidos.
O pai da odorologia forense
Um dos maiores nomes dessa disciplina no mundo é o médico-veterinário argentino Dr. Mário Rolando Rosillo, reconhecido internacionalmente como o “pai da odorologia forense”. Desde a década de 1980, ele desenvolve metodologias, capacita equipes caninas e atua como perito em casos de grande repercussão — já são mais de 280 investigações na Argentina. Seu trabalho ajudou a institucionalizar a técnica e a estabelecer protocolos adotados hoje em diferentes países.
A chegada da odorologia forense ao Brasil
O Brasil ainda dá seus primeiros passos nessa área, mas há quem esteja abrindo esse caminho. O adestrador Glauco Lima, reconhecido pelo seu trabalho com cães de assistência, formou-se na Associação Italiana de Odorologia Forense com curso ministrado e certificado pelo próprio Professor Rosillo — tornando-se um dos poucos profissionais brasileiros com formação direta nessa metodologia.
Mais do que um diploma, essa experiência acendeu em Glauco Lima o desejo de trazer essa ciência para mais perto do público brasileiro. Foi ele quem convidou o Professor Rosillo a desenvolver conteúdos, cursos e materiais voltados especificamente ao Brasil — um movimento que pode marcar o início de uma expansão real da odorologia forense no país.
A ideia é que profissionais brasileiros — adestradores, veterinários, peritos e entusiastas do trabalho canino — possam ter acesso a uma formação de referência internacional sem precisar buscar essa especialização exclusivamente no exterior. Para Glauco Lima, difundir esse conhecimento é também reconhecer e valorizar o potencial olfativo dos cães de forma séria, científica e transformadora.
O nariz canino como ferramenta de Justiça
Para quem convive com um cão, não é surpresa que o olfato desses animais seja extraordinário. O que talvez surpreenda é o nível de precisão e confiabilidade que essa capacidade pode atingir quando associada a treinamento especializado e rigor científico. A odorologia forense é mais um exemplo de como o vínculo humano-animal vai muito além do afeto: nossos pets, quando bem treinados e cuidados, são verdadeiros parceiros, inclusive na busca por Justiça.



