Alterações nas mamas de cães e gatos nem sempre causam dor ou outros sinais visíveis. Só a avaliação veterinária identifica a causa e define a conduta
Um pequeno caroço percebido durante o banho, a escovação ou um momento de carinho pode passar despercebido ou parecer pouco importante quando o pet continua ativo, come normalmente e não demonstra dor. Ainda assim, alterações na região das mamas merecem atenção, mesmo quando o animal parece estar bem.
No Outubro Rosa Pet, o alerta se volta para algumas crenças que levam responsáveis por cães e gatos a adiar a avaliação veterinária diante de nódulos ou outras mudanças nas mamas.
Segundo Kauê Ribeiro, médico-veterinário da Vetnil, nódulos, inchaço, secreções, feridas e alterações na pele próxima às mamas podem ter diferentes causas. Ou seja, uma alteração não indica necessariamente câncer, mas também não deve ser diagnosticada em casa. “O objetivo da observação em casa não é fazer com que o responsável tente identificar se um nódulo é benigno ou maligno, mas perceber o que surgiu ou mudou e procurar orientação. Quanto antes uma alteração é avaliada, mais cedo o médico-veterinário pode definir qual é a conduta adequada para aquele animal”, explica Ribeiro.
1. “O caroço é pequeno, então não deve ser preocupante”
O tamanho de um nódulo, sozinho, não define se a alteração é benigna ou maligna. Nos tumores mamários, ele é apenas um dos fatores que o médico-veterinário considera para avaliar a extensão da doença, ao lado do comprometimento dos linfonodos e da presença ou não de metástases.
Encontrar uma alteração ainda pequena é, portanto, um motivo para buscar orientação, e não para esperar que ela aumente.
Durante a rotina, o responsável pode perceber pequenos volumes, assimetrias ou mudanças próximas aos mamilos. Nesses casos, a recomendação é não apertar nem massagear a região e não aplicar produtos ou medicamentos sem orientação profissional. Anotar quando a alteração foi percebida e em que local ela está também ajuda o médico-veterinário durante a consulta.
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2. “Se não dói, não é grave”
A ausência de dor não significa que uma alteração mamária seja inofensiva. Cães e gatos podem continuar ativos e sem sinais aparentes mesmo quando existe um problema que precisa ser investigado. “Não é recomendável esperar que o animal manifeste sinais clínicos, como dor. Cães e gatos nem sempre apresentam sinais evidentes nas fases iniciais, e algumas alterações mamárias podem ser silenciosas. Se existe um nódulo ou outra mudança persistente, a ausência de desconforto não elimina a necessidade de avaliação”, afirma Ribeiro.
Mudanças percebidas no contato cotidiano com o animal devem, assim, ser comunicadas ao profissional, mesmo que o pet mantenha o comportamento habitual.
3. “Todo nódulo mamário é câncer”
O raciocínio inverso também está errado. Processos inflamatórios e outras alterações podem apresentar sinais semelhantes aos de um tumor, e os próprios tumores mamários podem ter comportamentos distintos.
Nos gatos, os tumores mamários tendem a ser malignos com mais frequência. Nos cães, também não é possível saber apenas pela palpação se uma formação é benigna ou maligna.
Na consulta, o médico-veterinário pode examinar toda a cadeia mamária, verificar se há outras alterações e avaliar os linfonodos. Conforme o caso, podem ser indicados exames de imagem, coleta de material e análise histopatológica. É essa investigação que permite identificar a natureza da alteração e definir a conduta mais adequada.
4. “Meu pet é castrado, então não corre risco”
A castração pode reduzir o risco de tumores mamários, mas não garante proteção absoluta.
O risco depende de fatores como espécie, idade, histórico reprodutivo e o momento em que a castração foi feita. Animais castrados também precisam de acompanhamento veterinário e devem ter a região mamária avaliada sempre que houver alguma mudança.
O momento ideal para a castração deve ser discutido individualmente com o médico-veterinário, considerando raça, porte, idade e condição clínica do animal, além dos possíveis benefícios e riscos do procedimento.
5. “Vou esperar para ver se cresce, porque o animal está bem”
Esperar que um nódulo cresça pode atrasar a investigação. O comportamento e a evolução das alterações mamárias variam, e não existe um período de observação considerado seguro para todos os animais.
O fato de o pet continuar comendo, brincando e mantendo a rotina é positivo, mas não dispensa a avaliação quando uma alteração persistente é percebida. “É fundamental que o responsável, ao encontrar um nódulo, busque uma avaliação profissional o mais breve possível, para que seja identificado se há necessidade de intervenção, de exames ou de monitoramento e em qual intervalo. O fato de o pet parecer bem é positivo, mas não descarta a necessidade do exame clínico”, alerta Ribeiro.
Observar faz parte do cuidado
A observação em casa ajuda o responsável a perceber mudanças mais cedo. Durante o banho, a escovação ou o carinho, é possível observar delicadamente a região das mamas, que se estende pelo tórax e pelo abdômen.
Além de nódulos, devem ser comunicadas ao médico-veterinário alterações como inchaço, secreções, feridas, vermelhidão ou mudanças persistentes na pele.
Essa atenção não substitui as consultas de rotina. O acompanhamento periódico permite que o profissional examine o animal por completo e identifique alterações que a família ainda não percebeu. A frequência das consultas deve considerar a idade, o histórico e as condições de saúde do pet.
“A mensagem do Outubro Rosa Pet é sobre a importância de incluir na rotina momentos de observação, manter o acompanhamento veterinário periódico e buscar orientação profissional de forma constante, mas especialmente quando forem percebidas alterações. Esses cuidados são fundamentais para a manutenção da saúde e do bem-estar do pet”, conclui Ribeiro.


