Cães e gatos também desenvolvem câncer? Veja os sinais, as raças de risco e quando procurar o veterinário

Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura ou controle da doença; saiba quais sinais merecem atenção e quais raças apresentam maior predisposição

 

O câncer é apontado como a principal causa de morte entre cães e gatos, segundo dados do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). A incidência de tumores é maior em cães do que em gatos, mas os felinos apresentam maior proporção de tumores malignos: estudos citados pelo CFMV mostram que 78% dos tumores em cães são malignos, número que sobe para 95,8% entre os gatos.

Apesar da gravidade, a doença tem tratamento e, em diversos casos, possibilidade de cura ou controle a longo prazo. O fator decisivo, segundo especialistas da área, é o diagnóstico precoce, já que tumores identificados em estágios iniciais respondem melhor a cirurgia, quimioterapia e radioterapia.

Sinais que merecem atenção

Os sintomas variam de acordo com o tipo de tumor, sua localização e o estágio em que se encontra. Segundo o CFMV, entre os indícios mais comuns estão mudança de cor na pele, feridas que não cicatrizam, presença de nódulos, perda de peso, vômitos, diarreia, perda de apetite, dificuldade para urinar, tosse persistente e mudanças de comportamento, como apatia ou cansaço extremo.

A médica-veterinária Vivian Quito alerta que nem todo nódulo é câncer, mas todo nódulo deve ser investigado por um médico-veterinário: esperar o tumor aumentar de tamanho pode atrasar o diagnóstico e reduzir as chances de um tratamento bem-sucedido.

O risco de desenvolvimento de tumores também aumenta com a idade do animal, o que reforça a importância de check-ups veterinários periódicos em pacientes idosos.

Os tipos mais comuns de câncer em cães e gatos

Entre os tumores mais frequentes em cães e gatos estão os de pele, os de mama e os linfomas, mas a doença pode afetar praticamente qualquer órgão ou tecido do corpo.

Nos cães, o mastocitoma é um dos tumores de pele mais comuns, podendo se apresentar como nódulo único ou múltiplas lesões. Nos gatos, o carcinoma espinocelular, associado à exposição solar, é o tipo mais frequente, afetando principalmente orelhas, olhos e nariz em animais de pelagem clara. Em cães de pele pouco pigmentada, a região da barriga costuma ser a mais afetada.

O câncer de mama está entre os mais comuns em cadelas e gatas não castradas ou castradas tardiamente, embora fatores genéticos e hormonais também possam influenciar. A médica-veterinária Vivian Quito destaca que a relação entre castração e prevenção de tumores mamários é mais complexa do que se costuma divulgar: a castração pode reduzir o risco de algumas neoplasias reprodutivas e mamárias, mas o momento ideal para o procedimento deve ser individualizado, considerando raça, porte, idade e características específicas de cada paciente, sempre em conversa com o médico-veterinário responsável.

Os linfomas afetam os linfonodos e o sistema linfático. Em cães, a forma mais comum é a multicêntrica, que atinge linfonodos por todo o corpo e costuma vir acompanhada de emagrecimento e letargia. Em gatos, o linfoma intestinal é o mais frequente, principalmente entre 9 e 13 anos de idade, com sintomas como perda de peso, vômitos e diarreia. Em ambas as espécies, a quimioterapia é o tratamento mais utilizado, com boa tolerância na maior parte dos casos.

Outros tipos relevantes incluem o melanoma, mais comum em cães com pele bastante pigmentada e de alto potencial de disseminação quando localizado na cavidade oral ou nos dígitos; o osteossarcoma, tumor ósseo maligno que afeta principalmente raças de porte grande e é descrito como agressivamente metastático; o hemangiossarcoma, que se desenvolve a partir de vasos sanguíneos de órgãos internos como coração, fígado e baço; e o fibrossarcoma, tumor do tecido conjuntivo que pode evoluir de forma mais lenta, exceto quando atinge os ossos das patas.

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Raças com maior predisposição

•​Câncer em geral: Boxer, Golden Retriever, Poodle, Pastor Alemão, Pitbull e Bernese estão entre as raças de cães mais afetadas; em gatos, a incidência é mais homogênea entre as raças.

•​Linfoma: Chow Chow, Basset Hound, West Highland White Terrier, Yorkshire, Golden Retriever, Pastor Alemão, Beagle, Rottweiler, Poodle, São Bernardo, Bull Terrier e Bulldog Inglês apresentam maior predisposição.

•​Osteossarcoma: cães de porte grande são os mais suscetíveis, como Dogue Alemão, Rottweiler, Doberman, Golden Retriever, Labrador, Fila Brasileiro e Pastor Alemão.

•​Hemangiossarcoma: Pastor Alemão, Labrador e Golden Retriever figuram entre as raças mais suscetíveis; em gatos, os casos são raros.

•​Fibrossarcoma: Setters Irlandeses e Dobermans estão em maior risco, sobretudo em idade avançada; a variante oral afeta especialmente Dobermans e Golden Retrievers.

Prevenção e check-ups regulares

Embora fatores genéticos e a idade avançada influenciem o surgimento da doença, alguns hábitos ajudam a reduzir riscos e a antecipar diagnósticos. A castração precoce é indicada como medida preventiva para tumores de mama, ovário, útero e testículo, desde que orientada pelo médico-veterinário. A exposição solar excessiva, especialmente em animais de pele clara, e o contato com agentes químicos tóxicos também são apontados como fatores de risco para o câncer de pele.

Consultas veterinárias de rotina permitem identificar nódulos e alterações ainda em estágio inicial. A recomendação entre especialistas é de check-ups anuais completos, com atenção redobrada a partir dos 7 anos de idade do animal.

O que fazer em caso de suspeita

Diante de qualquer alteração de saúde ou comportamento no cão ou gato, a orientação é procurar o médico-veterinário para uma avaliação clínica detalhada. Caso sejam necessários, exames complementares como ultrassom, radiografia, exames de sangue ou biópsia ajudam a confirmar o diagnóstico. Animais diagnosticados com câncer devem ser encaminhados a um especialista em oncologia veterinária para investigação mais profunda e definição do tratamento, que pode incluir cirurgia, quimioterapia ou radioterapia.

Abordagem multidisciplinar e cuidados paliativos

A médica-veterinária Vivian Quito lembra que pacientes oncológicos veterinários têm sido cada vez mais acompanhados de forma multidisciplinar, associando os tratamentos convencionais, como cirurgia, quimioterapia e radioterapia, a terapias integrativas. Recursos como acupuntura, ozonioterapia e medicamentos homeopáticos injetáveis podem ser utilizados de forma complementar, auxiliando no conforto, no bem-estar, no controle de sintomas e na qualidade de vida do animal durante o tratamento.

Nos casos em que a cura não é possível, os cuidados paliativos assumem papel central, permitindo manter o conforto e a qualidade de vida do animal pelo maior tempo possível, finaliza a especialista.

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